O peso da escrita

Escrever nem sempre é libertador. Eu sou a prova disso. Acho que comecei a escrever de uma forma criativa aos 9 anos de idade. Eu fazia um pequeno livro com algumas folhas brancas de chamex, depois eu recortava revistas e jornais e fazia colagens, em seguida começava a escrever nas páginas, criava histórias.


Em 2002, eu publiquei meu primeiro poema em um jornal local. Experimentei a emoção de ver algo que eu mesma escrevi impresso no jornal, ali na banca, à venda para quem quisesse comprar e ler. Um jornal que estaria na casa de inúmeras pessoas pela manhã. Para alguns, o meu poema passaria despercebido. Para outros, não. Ele seria lido. Quem sabe alguém poderia gostar e guardá-lo.


Confesso que eu li, guardei mais por lembrança, afinal estava meu nome impresso. Mas eu odiei o poema como todos os outros que eu já havia escrito. Senti um misto de constrangimento e arrependimento.


A minha relação com a escrita não foi das melhores. Talvez, se eu não ousasse dividi-la ela pudesse ter me beneficiado muito mais. Mas ao torná-la pública, ela acabou por ser um objeto de humilhação, era assim que eu me sentia depois. Eu me tornei uma vítima das minhas palavras. E dei arma para quem quisesse puxar o gatilho.


As pessoas têm dificuldades em separar ficção e realidade. E em enxergar a arte como um caminho possível.


A minha insegurança também contribuiu para esse sentimento de fracasso, eu não confiava em mim, eu não tinha coragem. Então, o fato de ninguém me motivar, apoiar, compreender e apreciar o que eu estava fazendo me provocação frustração, medo, culpa, desespero, ... Acho que eu enxergava a escrita como a única chance de ser aceita.


Era a única que eu achava que sabia fazer.


Mas as pessoas podem ser muito cruéis. Hoje, eu percebo que não deveria considerá-las. Eu dei mais importância a elas do que a mim mesma. Em praticamente tudo na minha vida.


Eu vivi para os outros, enquanto eu deveria ter vivido por mim mesma.


Carolyne Ferso


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